Saltar para o conteúdo

Pontas espigadas mais rápidas que o crescimento do cabelo: este hábito danifica as pontas até três vezes mais.

Mulher penteia o cabelo na casa de banho, com toalhas, garrafa de óleo, tesoura e pente na bancada ao lado.

A partir da frente, o cabelo dela parece brilhante, quase irreal sob a luz do ring light. Mas quando o cabeleireiro levanta uma madeixa fina na nuca, a verdade aparece: uma floresta densa de pontinhos brancos e pequenas “penas” onde o cabelo deveria estar liso. Ela encolhe-se quando ele lhe mostra o espelho.

  • “Não percebo”, murmura. “Eu quase não corto. Estou a tentar deixar crescer.”

O cabeleireiro suspira, baixinho.

  • “Esse é exactamente o problema.”

Uma tesoura fecha-se com um estalido, e um centímetro inteiro cai ao chão. Não porque o cabelo não tenha crescido. Mas porque as pontas se partiram mais depressa do que as raízes conseguiram acompanhar. Ele faz-lhe uma pergunta simples sobre um hábito que ela repete todos os dias. Ela pestaneja. Nunca tinha pensado que aquilo fosse o verdadeiro culpado.

O hábito que está a destruir as tuas pontas três vezes mais depressa

Observe-se as pessoas no metro e vai ver-se isto por todo o lado. Dedos a torcer madeixas em pequenas cordas, telemóveis encostados ao ouvido com o cabelo preso por baixo, mãos nervosas a puxar sempre pela mesma mecha, vezes sem conta. Parece inofensivo. Até reconfortante.

O que a maioria não vê é o que acontece na ponta. Cada torção estica um pouco mais a cutícula. Cada puxão enfraquece o mesmo ponto frágil. Um dia, a fibra não se parte a meio. Divide-se silenciosamente em dois, três, por vezes quatro ramos. E, quando isso acontece, o dano sobe rapidamente.

Uma tricologista de Londres disse-me que consegue adivinhar este hábito antes de uma cliente abrir a boca. “Brincas muito com o cabelo, não é?” O padrão denuncia. As piores pontas espigadas acumulam-se exactamente onde os dedos costumam parar de torcer. O resto do cabelo pode estar saudável. Os últimos centímetros parecem mastigados.

Veja-se o caso da Sophie, 27 anos, que jurava que o cabelo “simplesmente não cresce”. Há anos que não passava do comprimento pelos ombros. Sempre que chegava à clavícula, as pontas ficavam desfiadas e irregulares. A solução dela: evitar cortes, carregar nos óleos e tratar o couro cabeludo como um bebé. Ainda assim, enquanto trabalhava, torcia distraidamente sempre a mesma secção de lado.

Ao fim de um ano, marcou finalmente uma consulta profissional. O cabeleireiro penteou-lhe o cabelo devagar e depois mostrou-lhe uma madeixa sobre uma toalha escura. As pontas pareciam pequenas penas. Algumas estavam divididas em três ou quatro, como mini garfos. Ele explicou-lhe que ela estava literalmente a rasgar as pontas várias vezes por dia.

Fizeram um acordo. Ela deixaria de torcer durante um mês e aceitaria um corte recto, bem feito. Quatro semanas depois, a diferença chocou-a. Os mesmos produtos, o mesmo champô, o mesmo trabalho. Mas sem o stress mecânico constante, o novo crescimento manteve-se intacto. O cabelo não tinha “acelerado” por magia. Apenas deixou de perder a corrida nas pontas.

Os dermatologistas chamam-lhe dano mecânico. É o primo discreto do dano por calor e da descoloração. Sem mudanças dramáticas de cor, sem cheiro a queimado. Apenas fricção e tensão repetidas, a lascar a cutícula até o córtex ficar exposto e começar a desfiar.

Um pequeno estudo sobre quebra do cabelo concluiu que torcer e escovar de forma agressiva pode triplicar o número de pontas espigadas nas zonas mais manuseadas. É por isso que as mechas da frente - aquelas em que tocamos cem vezes por dia - parecem mais “velhas” do que o cabelo de trás, mesmo tendo crescido ao mesmo tempo.

Pense no cabelo como uma corda feita de pequenas telhas sobrepostas. Torcer em excesso, rabos-de-cavalo apertados, arrancar elásticos, dormir com o cabelo preso debaixo do ombro - tudo isso raspa e estica essas telhas. No início, só se nota alguma secura. Depois, a ponta cede. E quando uma ponta espigada começa, não pára sozinha. Avança.

Como quebrar o hábito e salvar as tuas pontas

O primeiro passo não é um sérum milagroso. É mudar o que as tuas mãos fazem quando a tua mente divaga. Substitui o reflexo de torcer por algo que não envolva o cabelo. Uma bola anti-stress na secretária, um anel “fidget”, uma tampa de caneta entre os dedos. Qualquer coisa que mantenha as mãos ocupadas enquanto o cérebro está noutro sítio.

Para algumas pessoas, ajuda literalmente bloquear o acesso. Prender as secções da frente durante o trabalho. Fazer uma trança baixa e solta para que os fios individuais sejam mais difíceis de agarrar. Em casa, pôr uma bandolete macia enquanto faz scroll ou vê televisão. Parece quase ridículo, mas interrompe o gesto automático de ir buscar aquela madeixa familiar.

Sempre que te apanhares a meio de uma torção, pára, desfaz suavemente da ponta para a raiz e alisa a madeixa em vez disso. Não estás apenas a corrigir um momento. Estás a treinar um novo caminho no teu cérebro.

Claro que torcer não é o único hábito diário que arruína as pontas três vezes mais depressa do que elas crescem. Rabos-de-cavalo altos e apertados usados o dia inteiro podem criar um ponto fraco permanente onde o elástico assenta. Arrancar um elástico à noite, sobretudo um fininho de borracha, funciona como uma pequena guilhotina em dezenas de fios.

Escovar cabelo molhado de forma agressiva, da raiz às pontas, transforma fios vulneráveis e inchados de água em elásticos esticados. Nem sempre partem ao meio. Rasgam na parte mais fina e mais seca: as pontas. Numa manhã apressada, parece mais rápido. Mais tarde, perguntas-te porque é que as pontas parecem palha.

Sejamos honestos: ninguém faz isto com perfeição todos os dias. Poucas pessoas desembaraçam sempre com delicadeza, das pontas para cima, com uma escova suave e paciência de santo. A vida mete-se no caminho. As crianças estão atrasadas, as reuniões começam, os alarmes falham. É por isso que escolher alguns “padrões” protectores - como um scrunchie de cetim em vez de um elástico apertado - faz tanta diferença ao longo de meses.

Uma cabeleireira em Paris foi directa:

“As tuas pontas vivem com as consequências de tudo o que lhes fizeste no último ano. Não do que fizeste no fim-de-semana passado.”

Essa é a verdade desconfortável por trás das pontas espigadas que “aparecem de repente”. Não apareceram. Apenas chegaram ao ponto de ruptura.

Ajuda ter algumas regras à vista, coladas ao espelho ou guardadas nas notas:

  • Nunca arranques um elástico - desliza-o com cuidado, ou corta-o se estiver preso.
  • Escova das pontas para cima, por secções, sobretudo quando o cabelo está molhado.
  • Dorme com o cabelo numa trança solta ou num coque baixo e macio.
  • Troca elásticos finos por scrunchies revestidos a tecido ou elásticos em espiral.
  • Agenda micro-cortes a cada 8–10 semanas, mesmo se estiveres a ganhar comprimento.

Num dia mau, vais esquecer-te de uma ou duas destas coisas. É humano. O objectivo não é a perfeição. É inclinar a balança para que o teu cabelo cresça mais depressa do que parte - e não o contrário.

Deixa as tuas pontas finalmente acompanhar as tuas raízes

Pensa no que o teu cabelo passou nos últimos doze meses. Todos os apanhados apertados para o trabalho, a escovagem apressada antes de dormir, a secagem rápida com ar quente no máximo, a torção distraída durante chamadas longas. As raízes continuam a empurrar vida nova. As pontas carregam toda a história.

Quando mudas o guião e proteges as pontas, o comprimento deixa de parecer algo que estás sempre a perseguir. Torna-se um efeito secundário natural de menos drama. Já não estás a “lutar” contra o crescimento. Estás apenas a deixar de destruir o progresso.

Todos já tivemos aquele momento em que apanhamos o nosso reflexo numa montra e pensamos: “Quando é que o meu cabelo ficou tão… fino nas pontas?” Esse pequeno choque costuma ser suficiente para iniciar uma mudança. Não uma reinvenção total. Apenas menos uma torção, uma escova mais suave, menos um rabo-de-cavalo brutal. Pequenas decisões, ligeiramente aborrecidas, que dão frutos num crescimento silencioso e teimoso.

O curioso é a rapidez com que vem o feedback. Dá às tuas pontas seis a oito semanas sem serem desfiadas, e começam a parecer mais espessas, mais sólidas. Não porque se tenham curado - pontas espigadas não se colam de novo - mas porque o novo crescimento não está a ser destruído ao primeiro contacto.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Os hábitos mecânicos importam Torcer, rabos-de-cavalo apertados e escovagem agressiva danificam as pontas até 3× mais depressa Perceber porque é que o cabelo “deixa de crescer” a partir de um certo comprimento
Mudar o reflexo das mãos Substituir a torção por objectos anti-stress, ganchos ou tranças soltas Acções simples e viáveis que reduzem pontas espigadas no dia-a-dia
Proteger e fazer micro-cortes Ferramentas suaves, elásticos macios e pequenos cortes regulares Manter o comprimento e, ao mesmo tempo, pontas mais espessas e cheias

FAQ

  • As pontas espigadas podem mesmo “subir” pelo fio? Sim. Quando a cutícula está aberta, a fricção do dia-a-dia puxa a fissura para cima, tornando o fio mais fraco e mais propenso a partir por completo.
  • Existe algum produto que repare pontas espigadas? Não. Nenhum produto consegue fundir permanentemente uma ponta espigada. Alguns séruns podem “colar” temporariamente as pontas para dar suavidade, mas só o corte remove o dano.
  • Com que frequência devo cortar se estou a tentar deixar crescer? A cada 8–12 semanas, pede um micro-corte apenas das pontas. Isto remove fissuras recentes antes de subirem, mantendo a maior parte do comprimento.
  • Dormir com o cabelo molhado causa pontas espigadas? Ir para a cama com o cabelo molhado, sobretudo solto numa fronha de algodão, aumenta a fricção e a quebra. Fazer uma trança solta e usar fronha de seda ou cetim é mais suave.
  • O calor é pior do que torcer o cabelo? Calor elevado sem protecção pode causar dano estrutural mais profundo, mas torcer diariamente e manusear de forma rude também pode criar muitas pontas espigadas ao longo do tempo. Muitas pessoas sofrem com ambos ao mesmo tempo.

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário