Ela tem 74 anos, usa batom vermelho e sapatilhas confortáveis, e tem no telemóvel uma captura de ecrã de um corte de cabelo. “O corte Trixie”, diz à cabeleireira, meio divertida, meio desafiante. Ao lado, outra cliente, já no fim dos sessenta, desliza por fotografias de perucas em camadas e filtros que suavizam o rosto, sussurrando que “não quer parecer velha”. Duas mulheres, a mesma década de vida, direcções opostas no espelho. E a mesma pergunta: lutar contra a idade, ou aprender a vivê-la com estilo. Quando a capa é desapertada, a escolha já se vê na nuca.
Porque é que o corte Trixie de repente parece uma linha na areia
O corte Trixie - aquele penteado curto e gráfico, com volume leve no topo e contornos suaves à volta das orelhas - está, discretamente, a dominar os salões frequentados por mulheres em idade de reforma. É curto, é leve, mexe-se quando nos rimos. Algumas mulheres chamam-lhe “libertador”; outras, “um corte de avó com boas relações-públicas”. Debaixo do secador, não é só cabelo a ganhar forma: é uma história sobre como é “permitido” parecer quando se envelhece. O corte faz uma pergunta simples: estás pronta para seres vista como és?
Num salão em Londres, a dona guarda um álbum secreto de “Trixies”: antes e depois de mulheres entre os 70 e os 85. Uma delas andara anos escondida atrás de uma peruca castanha e pesada. Outra agarrava-se a escovas semanais e a uma franja que nunca mexia. Ambas saíram com laterais curtas, uma franja leve e a cor real do cabelo a misturar-se com o prateado. Houve lágrimas na cadeira, mas sobretudo gargalhadas. Na folha de marcações, o código é simples: “TC70+”. Tornou-se uma tendência silenciosa - não no TikTok, mas nas salas de espera, nos clubes de bridge e nos grupos de WhatsApp chamados “Meninas 1950”.
O que torna este corte tão divisivo não é, na verdade, a forma. É a mensagem. O corte Trixie não tenta fingir. Não esconde o pescoço, não tapa as têmporas onde o branco aparece primeiro, não estica o cabelo por cima de zonas mais ralas como uma mentira educada. Enquadra o rosto que tens agora, não o da fotografia do encontro de antigos alunos. Por isso é que algumas mulheres o adoram e outras o rejeitam com veemência. O corte expõe uma tensão que muitas sentem depois dos 70: estou a tentar “passar”, ou estou a tentar ser?
Como usar o corte Trixie sem sentir que “desististe”
O segredo para um corte Trixie que pareça moderno, e não matronal, está em três detalhes: o comprimento à volta das orelhas, a textura no topo e a forma como a franja “quebra” na testa. Pede ao/à teu/tua cabeleireiro/a para manter as laterais suaves, não rapadas, com alguns fios soltos que mexam quando passas a mão. Em cima, queres camadas leves, para o cabelo não ficar achatado como um capacete. A franja pode ser quase inexistente, como um “acidente”, ou um pouco mais comprida para um ar mais suave. Pensa “acordei assim”, mas com uma boa tesoura pelo meio.
Muitas mulheres com mais de 70 chegam ao salão armadas com regras antigas: nunca cortar demasiado curto, nunca mostrar as orelhas, nunca expor o pescoço. Essas regras nasceram noutra era, com outras expectativas e outros produtos. Se o teu instinto é pedir mais comprimento “para o caso”, pára um instante. Pergunta-te se é mesmo uma questão de estilo, ou de medo de parecer da tua idade. Não há vergonha em nenhuma das opções - e um/uma bom/boa profissional não te vai pressionar, apenas orientar. Numa nota prática, o corte Trixie cresce melhor do que a maioria: não vais acordar um dia com um corte “à tigela” acidental.
Um/uma cabeleireiro/a em Paris foi directo/a com uma cliente que não largava o espelho:
“Não estás a cortar a tua juventude. Estás a cortar o disfarce que usaste para a proteger.”
- Guarda uma foto de uma mulher da tua idade com o corte - não de uma influencer de 30 anos.
- Marca o teu primeiro corte Trixie num dia calmo, quando tiveres tempo para te habituares ao teu reflexo.
- Planeia uma rotina simples: um produto, um gesto, cinco minutos no máximo.
- Dá-te pelo menos duas semanas antes de julgares o corte. O cabelo - e a mentalidade - precisam de tempo para assentar.
Mulheres que aceitam envelhecer vs as que “fingem”: não é bem sobre cabelo
Nas redes sociais, o debate à volta do corte Trixie rapidamente se transformou num ringue moral. De um lado, mulheres de cabelo prateado a publicar selfies com “a abraçar a minha idade”. Do outro, mulheres na casa dos 70 com extensões, preenchimentos e filtros, acusadas de “recusar a realidade”. O corte tornou-se um atalho para uma divisão mais profunda: envelhecimento autêntico versus juventude “falsa”. Mas quando, na vida real, te sentas ao lado destas mulheres a beber chá na sala de espera, a linha não é assim tão nítida. Um corte Trixie pode ser um acto de coragem. Uma peruca bem colocada também.
Numa manhã de terça-feira, num salão de uma vila, uma viúva de 72 anos entra de boné e sai com um corte Trixie bem definido, o cabelo branco finalmente livre. Duas cadeiras ao lado, uma actriz de 69 anos coloca uma prótese capilar discreta para continuar a trabalhar em palco. As duas estão a negociar o mesmo medo: desaparecer. Uma escolhe visibilidade como “a senhora prateada com o corte giro”. A outra escolhe a segurança da continuidade, parecendo-se com as fotos de casting de há dez anos. Todos conhecemos aquele momento em que o espelho nos devolve uma versão de nós que ainda não reconhecemos. A solução que escolhemos diz menos sobre vaidade e mais sobre sobrevivência.
Quando se fala em “fingir” depois dos 70, raramente se menciona o luto muito real de perderes o teu rosto antigo, o teu cabelo antigo, a tua presença antiga numa sala cheia. O cabelo vira campo de batalha porque é a parte mais fácil de mudar. Pintar ou não pintar, cortar ou não cortar, publicar a selfie ou faltar ao reencontro. O corte Trixie está nesse cruzamento: curto o suficiente para sinalizar uma ruptura, suave o suficiente para não gritar “rendo-me”. As mulheres que o escolhem costumam dizer a mesma coisa: “Queria voltar a parecer eu.” A ironia é que muitas das que mais se agarram à juventude acabam por parecer-se com toda a gente no corredor do anti-envelhecimento.
| Ponto-chave | Detalhe | Interesse para a leitora |
|---|---|---|
| Corte Trixie = afirmação | Curto, texturizado, mostra o prateado e o pescoço | Ajuda a decidir se estás pronta para uma mudança de estilo visível |
| O styling pode manter-se simples | Um produto, volume leve, rotina de cinco minutos | Torna o corte realista para o dia-a-dia depois dos 70 |
| Envelhecer vs “fingir” é mais complexo | As escolhas de cabelo reflectem medo, identidade e liberdade | Ajuda-te a sentir menos julgamento, seja qual for a tua escolha |
Perguntas frequentes
- O corte Trixie é só para rostos muito finos e elegantes? De todo. A forma pode ser adaptada com mais franja, laterais mais suaves ou mais volume no topo para equilibrar rostos mais redondos ou cheios.
- Posso continuar a pintar o cabelo e usar um corte Trixie? Sim. Muitas mulheres misturam uma cor suave com madeixas prateadas visíveis, mantendo o look fresco sem uma manutenção pesada das raízes.
- E se o meu cabelo for muito fino ou estiver a rarear no topo? As camadas e uma boa texturização ajudam o cabelo fino; um/uma bom/boa profissional evita desbastar em excesso e usa produtos leves para dar elevação.
- Um corte curto vai fazer-me parecer “mais velha” em vez de mais nova? Um formato datado pode envelhecer, mas um corte bem definido e leve tende a realçar os olhos e as maçãs do rosto, transmitindo energia em vez de idade.
- Com que frequência devo aparar um corte Trixie para manter a forma? A cada 5 a 8 semanas resulta para a maioria das mulheres; deixa crescer um pouco entre visitas para descobrires o comprimento em que te sentes melhor.
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário