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Nem uma vez por semana, nem dia sim, dia não: dermatologista explica com que frequência devemos lavar o cabelo.

Pessoa lavando o cabelo numa bacia de água sobre a pia, com toalhas e plantas ao fundo.

A mulher em frente ao espelho hesita, frasco de champô na mão.

É quarta-feira à noite; o cabelo está sem volume nas raízes e seco nas pontas. O Instagram diz “lava menos”, a mãe diz “lava todos os dias”, o cabeleireiro diz “só duas vezes por semana”. Ela suspira, revira os olhos para o próprio reflexo e começa a pesquisar: “Com que frequência devo lavar o cabelo, a sério?”

As respostas são uma confusão. Uma vez por semana. Dia sim, dia não. Todos os dias se viveres numa cidade. Nunca com sulfatos. Só com amaciador. Ela faz scroll, baralhada, meio tentada a desistir e a prender tudo num coque desalinhado outra vez. Algures entre slogans de marketing e truques do TikTok, a ciência a sério parece afogada.

Depois encontra um dermatologista a dizer calmamente: nem uma vez por semana, nem dia sim, dia não - mas algo muito mais pessoal. E isso muda tudo.

Então… com que frequência devemos realmente lavar o cabelo?

A maioria de nós não decide a rotina de lavagem de forma lógica. Herdamo-la. De um pai, de um colega de casa, de um YouTuber qualquer com caracóis perfeitos e luz de estúdio. Continuas a fazer o que sempre fizeste, até ao dia em que o couro cabeludo começa a coçar, as pontas partem, ou o brushing dura exatamente seis horas em vez de três dias.

É normalmente aí que as pessoas acabam no consultório do dermatologista a fazer a mesma pergunta: “Estou a lavar demasiado… ou não o suficiente?” Os dermatologistas dizem que a resposta está algures entre o teu couro cabeludo e o teu estilo de vida. Não num número bonito no rótulo de um produto. Não num calendário igual para toda a gente.

E é precisamente por isso que “uma vez por semana” ou “dia sim, dia não” pode soar bem num título, mas falha em casas de banho reais.

Um dermatologista de Nova Iorque com quem falámos vê o padrão todas as segundas-feiras. Trabalhadores de escritório com raízes oleosas e couro cabeludo a descamar, que usam champô duas vezes por semana “porque o TikTok disse”. Viciados em ginásio que lavam depois de cada treino e não percebem porque é que o cabelo fica com aspeto de palha. Mães recentes que passam de lavar diariamente para mal conseguirem uma vez a cada cinco dias, e entram em pânico quando o cabelo começa a cair.

Há ainda um grupo muito silencioso: pessoas que só lavam a cada 7–10 dias. Algumas estão bem. Outras acabam com folículos obstruídos, dermatite seborreica e aquele cheiro azedo de “usei um gorro durante dez horas” que nenhum champô seco consegue realmente esconder. A mesma “regra” resulta de forma muito diferente num rapaz de 16 anos na puberdade e numa mulher de 48 na perimenopausa.

Os dermatologistas acompanham estas histórias ao longo de idades, hormonas, cidades e estações. Vêem o mesmo erro: as pessoas copiam o calendário de outra pessoa e ignoram os sinais do próprio couro cabeludo. A ciência diz que são as tuas glândulas sebáceas - não o teu feed - que devem marcar o ritmo.

Tecnicamente, o couro cabeludo é pele com cabelo a crescer a partir dela. Produz sebo para se proteger, tal como a pele do rosto. Cabelo fino e com pouco volume fica rapidamente coberto por esse sebo, por isso parece oleoso mais cedo. Cabelo espesso e encaracolado demora mais tempo a fazer os óleos “viajarem” ao longo do fio, por isso tende a ficar mais seco nas pontas.

Por isso, muitos dermatologistas usam um esquema simples. Cabelo oleoso ou fino? Provavelmente todos os dias ou de 2 em 2 dias. Cabelo normal ou ligeiramente seco? Cerca de 2–3 vezes por semana. Cabelo muito encaracolado, crespo/afro ou texturizado? Muitas vezes uma vez por semana, por vezes a cada 10 dias, com mais foco no cuidado do couro cabeludo do que em esfregar o comprimento todo. Depois ajustam consoante suor, poluição e hormonas.

Então porquê uma posição tão firme: nem uma vez por semana, nem dia sim, dia não? Porque esses números tendem a transformar-se em dogmas rígidos. O teu couro cabeludo não vive num calendário. Vive no mundo real - onde pode haver uma vaga de calor, um prazo stressante, ou três aulas de cycling em quatro dias.

A regra do dermatologista: lava o couro cabeludo, não um horário

Eis o método que muitos dermatologistas repetem discretamente aos seus doentes. Em vez de perguntares “É quarta-feira, é dia de lavar o cabelo?”, pergunta “Como é que o meu couro cabeludo está a parecer e a sentir-se?” Antes de entrares no duche, abre uma risca em luz forte. Olha para as raízes. Estão brilhantes de óleo, há zonas pegajosas, ou há descamação fina à volta dos folículos?

Depois toca. Desliza os dedos ao longo do couro cabeludo. Fica oleoso em 24 horas após a lavagem, ou só ao fim de 72 horas? Coça? Se o couro cabeludo estiver oleoso, a coçar, ou com um ligeiro cheiro azedo, está na hora. Se estiver confortável, podes esperar - mesmo que o teu calendário discorde. Este “check-in” demora 10 segundos e vale mais do que qualquer regra de “dia sim, dia não”.

Os dermatologistas também sugerem uma fase de reajuste. Se tens lavado pouco, aumenta a frequência gradualmente. Se tens lavado em excesso, alonga o intervalo mais 12–24 horas de cada vez. O objetivo é uma rotina em que o couro cabeludo está limpo e confortável, e o cabelo continua a parecer cabelo - não palha.

Há uma espécie de vergonha silenciosa entre lavar “demasiado” e “pouco”. Algumas pessoas pedem desculpa ao dermatologista por lavarem todos os dias, dizendo em voz baixa que, caso contrário, se sentem sujas. Outras quase se gabam por aguentarem oito dias com champô seco, como se fosse um crachá de minimalismo “cool”. A verdade está no meio - e é profundamente individual.

Se tens couro cabeludo oleoso, um trabalho em que transpiras, ou vives numa cidade húmida, lavar diariamente com um champô suave pode ser perfeitamente aceitável. O que estraga o cabelo não é a água em si, mas tensioativos agressivos, mais secagem com toalha de forma brusca e styling quente. Por outro lado, se esticas tanto as lavagens que aparecem escamas, vermelhidão e um cheiro estranho, esse “estilo de vida low-wash” deixa de ser cuidado e passa a ser negligência.

Todos já vivemos aquele momento em que chegas para beber um copo, apanhas o teu reflexo e perguntas-te se toda a gente está a ver as tuas raízes sem volume e ligeiramente oleosas. Raramente é tão mau como parece, mas essa pequena ansiedade social alimenta o debate sem fim. Muitas vezes, os dermatologistas acabam por dar tanta tranquilização emocional como conselhos médicos.

“Digo aos meus doentes: o vosso couro cabeludo não lê tendências de beleza”, ri-se a Dra. Ana Campos, dermatologista certificada. “Se és ativo, tens pele oleosa, ou vives num sítio poluído, lavar diariamente com a fórmula certa é melhor do que deixar suor, sujidade e produto acumularem durante dias. Limpo não significa ‘despido’. Significa equilibrado.”

Para tornar isto menos abstrato, muitos especialistas dão agora aos doentes uma checklist simples para colar no espelho da casa de banho:

  • As raízes parecem brilhantes, pesadas, ou separadas em “mechas”
  • O couro cabeludo cheira mal, mesmo depois de usar champô seco
  • Comichão, sensação de repuxar, ou ardor
  • Descamação visível junto à linha do cabelo ou na risca
  • O couro cabeludo só se sente bem durante 24 horas após a lavagem

Se duas ou mais forem verdade, lava o cabelo. Se nenhuma for, não há problema em saltar - mesmo que uma revista te tenha dito “lava dia sim, dia não”. Sejamos honestos: ninguém faz isto realmente todos os dias, ao milímetro, o ano inteiro.

Viver com o teu cabelo real, não com a versão da internet

A coisa mais honesta que um dermatologista te dirá é esta: a tua frequência ideal de lavagem vai mudar. Com a estação, com as hormonas, com o nível de stress. A rotina “perfeita” que tinhas aos 27 pode deixar de funcionar aos 37 depois de uma gravidez, de uma mudança para uma cidade poluída, ou de começares a trabalhar remotamente e a fazeres menos deslocações.

Isso não é falhar. É biologia. Se antes ficavas oleosa em 24 horas e agora demora três dias, celebra o descanso. Se acontecer o contrário e o teu couro cabeludo de repente virar uma fábrica de óleo, olha para mudanças na dieta, medicação ou hormonas - e adapta-te. A tua história capilar pode ter capítulos.

Quando aceitas isso, algo relaxa. Deixas de lutar contra o teu couro cabeludo e começas a ouvi-lo. Ficas menos fiel a números arbitrários e mais fiel ao conforto, à saúde e à forma como realmente te sentes ao acordar com o cabelo numa terça-feira de manhã.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Esquecer a regra “uma vez por semana” As necessidades variam consoante o couro cabeludo, o tipo de cabelo e o estilo de vida Liberta do sentimento de “estar a fazer bem ou mal”
Observar o couro cabeludo, não o calendário Olhar, tocar, cheirar: oleosidade, odor, comichão, caspa/descamação Permite ajustar a frequência dia a dia
Privilegiar um equilíbrio limpeza/conforto Limpar o suficiente para evitar acumulação, sem ressecar Ajuda a manter cabelo e couro cabeludo saudáveis a longo prazo

FAQ

  • Fazer lavagem diária faz mal ao cabelo? Não necessariamente. Se tens couro cabeludo oleoso, vives numa zona quente ou poluída, ou treinas com frequência, lavar diariamente com um champô suave, sem sulfatos ou com poucos sulfatos, pode ser perfeitamente aceitável. O essencial são fórmulas suaves e uma secagem gentil.
  • Lavar só uma vez por semana pode prejudicar o couro cabeludo? Para algumas pessoas, uma vez por semana funciona. Para outras, a acumulação de óleo, suor e produtos pode desencadear caspa, comichão e irritação. Se notas cheiro, descamação ou desconforto antes do 7.º dia, o teu couro cabeludo provavelmente quer lavagens mais frequentes.
  • Lavar menos faz o cabelo crescer mais depressa? Não. O crescimento do cabelo vem do folículo dentro do couro cabeludo. Deixar óleo e resíduos acumularem pode, na verdade, obstruir os folículos e agravar problemas, em vez de os “proteger”. Um couro cabeludo limpo e equilibrado é um ambiente melhor para o crescimento.
  • Com que frequência devo lavar cabelo encaracolado ou crespo/afro? Muitos dermatologistas sugerem cerca de uma vez por semana, por vezes a cada 7–10 dias, com foco no couro cabeludo e uso de produtos hidratantes. Algumas pessoas alternam um champô completo com um co-wash suave, dependendo de como o couro cabeludo se sente.
  • Posso depender de champô seco em vez de lavar? O champô seco é útil para ganhar mais um dia ocasional, ao absorver a oleosidade nas raízes. Mas não limpa realmente o couro cabeludo. Usado constantemente no lugar da lavagem, pode contribuir para acumulação, comichão e cabelo baço.

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