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A psicologia destaca três cores frequentemente usadas por pessoas com baixa autoestima.

Pessoa segura amostras de tecido enquanto desenha círculo cromático numa mesa de madeira com lápis e planta.

A mulher em frente ao espelho não diz uma palavra.

Limita-se a tirar a mesma camisa de ontem. O mesmo corte. A mesma cor. O guarda-roupa está cheio, mas, na prática, ela usa sempre as mesmas três tonalidades em rotação, como um uniforme silencioso que ninguém alguma vez combinou em voz alta.

As colegas brincam que ela é “minimalista”. Ela ri com educação, embora por dentro saiba que não tem a ver com estilo. Tem a ver com esconder-se. Com não ocupar demasiado espaço. Com não dar a ninguém um motivo para olhar a sério.

A psicologia tem um nome para esta dança entre a cor e a autoestima. E as três cores a que as pessoas com baixa autoestima recorrem com mais frequência dizem muito mais do que elas imaginam.

As três cores que a baixa autoestima adora em segredo

Pergunte a um stylist sobre “cores de confiança” e vai ouvir falar de vermelho, azul cobalto, coral vivo. Pergunte a um psicólogo o que as pessoas com baixa autoestima realmente vestem, e é mais provável que ouça: preto, cinzento e bege.

Estes três tons têm um lugar especial no guarda-roupa de quem quer sentir-se em segurança, mais do que ser visto. O preto que absorve a luz e a atenção. O cinzento que se mistura nas paredes e nos fundos. O bege que sussurra “neutro” para que ninguém critique demasiado alto.

Não gritam nada. Apenas concordam, em silêncio, em desaparecer um pouco.

Um inquérito britânico sobre escolhas de roupa de trabalho concluiu que as pessoas que avaliavam a sua confiança como “baixa” tinham uma probabilidade significativamente maior de escolher preto e cinzento para reuniões importantes. Não porque adorassem as cores. Mas porque se sentiam protegidas dentro delas.

Uma assistente de marketing de 29 anos descreveu-o assim: nos dias em que se sentia insegura, escolhia o mesmo camisola escura e calças de ganga em cinzento-carvão. “Se não tenho a certeza de que pertenço à sala, pelo menos a minha roupa não vai fazer barulho”, disse.

Os psicólogos ouvem versões disto constantemente em terapia. Os conjuntos tornam-se armadura. É mais seguro ser “aborrecido mas aceitável” do que arriscar uma cor viva que possa atrair um comentário, um olhar, uma sobrancelha levantada.

A investigação em psicologia da cor mostra que o preto está fortemente ligado à seriedade e ao controlo. O cinzento associa-se ao distanciamento e a uma baixa intensidade emocional. O bege liga-se à conformidade e a uma baixa estimulação.

Para alguém a lutar com o seu valor próprio, estas associações são reconfortantes. Se por dentro já se sente “demasiado”, o preto pode parecer uma forma de apertar tudo. Se se sente um peso, o cinzento e o bege soam a promessa: “Não vou incomodar ninguém.”

Isto não é sobre gosto de moda. É sobre autoproteção emocional. A roupa torna-se uma negociação diária com a visibilidade: quanto de mim estou disposto(a) a mostrar hoje?

Usar a cor como uma ferramenta discreta de terapia

Um método pequeno e concreto que os terapeutas por vezes sugerem é a “regra de um único acento”. Mantém-se a base habitual em preto, cinzento ou bege, mas acrescenta-se exatamente um apontamento de cor intencional.

Um anel verde-floresta. Um cachecol azul suave. Um batom dois tons mais ousado do que a sua zona de conforto. O objetivo não é virar o guarda-roupa do avesso de um dia para o outro. O objetivo é testar o que acontece quando permite que uma pequena parte de si seja vista.

No papel, parece quase trivial. Na vida real, essa única pulseira colorida pode parecer entrar numa sala com um megafone.

A armadilha em que muita gente cai é achar que tem de “tornar-se uma pessoa colorida” de segunda para terça. Isso é um atalho para o pânico e, depois, para voltar ao uniforme todo preto.

Há também a espiral de culpa: “Se eu usar cor, devia sentir-me confiante e feliz de repente.” Quando isso não acontece, culpam-se a si próprios em vez de compreenderem que a cor apoia a emoção - não a fabrica por encomenda.

Sejamos honestos: ninguém faz isto de forma perfeita todos os dias. Ninguém acorda e escolhe impecavelmente cores de amor-próprio como se fosse um desafio do TikTok. Alguns dias ainda vai agarrar o hoodie cinzento - e está tudo bem.

O que importa mais é notar o padrão com gentileza. A baixa autoestima já magoa o suficiente; não precisa de se maltratar também por causa do cesto da roupa.

“Quando alguém começa a voltar a introduzir cor no guarda-roupa, raramente é por moda”, explica uma psicóloga clínica com quem falei. “É uma pequena declaração: ‘Tenho direito a existir neste espaço.’”

Para experimentar sem pressão, muitas pessoas acham mais fácil começar com um mini “kit de cor” em casa:

  • 1 acessório numa cor calmante (azul suave, verde-sálvia)
  • 1 peça num tom quente e acolhedor (terracota, coral suave)
  • 1 elemento que lhe pareça secretamente ousado (vermelho profundo, azul-real)

Nada disto tem de ser caro ou estar perfeitamente coordenado. Pense nisto como rodas de treino emocionais. Não está a tentar impressionar o Instagram. Está a dizer, com suavidade, ao seu sistema nervoso: “Um pouco de visibilidade é seguro.”

Ver as suas cores como um espelho, não como um veredito

Quando começa a prestar atenção, é difícil não reparar nos seus hábitos de cor por todo o lado. As fotografias em que fica sempre na última fila, vestido(a) de preto. As chamadas de trabalho em que a camisola se confunde com a cadeira.

Essa consciência pode doer ao início. Num dia mau, é tentador rotular-se: “Sou só a pessoa aborrecida do bege.” Num dia bom, pode ser estranhamente libertador dizer: “Certo, a minha roupa tem estado a esconder-se por mim.”

E se, em vez de julgar essas três cores de baixa autoestima, as tratasse como um painel de controlo? Nem boas nem más. Apenas informação.

Há algo de poderoso em enviar uma selfie a um amigo e dizer: “Hoje estou em modo cinzento total; isso costuma significar que a minha confiança está debaixo da cama.” Traz para a luz aquilo que estava escondido, sem drama.

E quando alguém de quem gosta muda de repente para tudo preto, o tempo todo, talvez passe a ver isso de forma diferente. Menos como uma “fase”, mais como um alarme suave de que algo lá dentro ficou muito quieto.

Partilhar estas observações pode abrir conversas que não começam com “O que é que se passa contigo?”, mas com “Reparei que as tuas cores mudaram. Como é que estás, a sério?”

É aí que a cor deixa de ser apenas uma escolha de moda e se torna uma ponte. Entre como nos sentimos e o que nos atrevemos a mostrar. Entre a versão de nós que se esconde e a que, devagar e com cautela, deixa entrar um pouco mais de luz.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
As três cores “reflexo” O preto, o cinzento e o bege são muitas vezes escolhidos para proteger, não para expressar. Permite reconhecer automatismos no vestir ligados à autoestima.
A regra do “um acento” Adicionar um único elemento colorido a um conjunto neutro funciona como um pequeno exercício de exposição. Oferece um método simples, praticável já amanhã de manhã, sem mudar todo o estilo.
As cores como sinal Observar as escolhas de cor ao longo do tempo pode revelar o estado emocional. Ajuda a compreender-se melhor e a abrir diálogo consigo e com os outros.

FAQ:

  • O preto, o cinzento e o bege são cores “más” do ponto de vista psicológico?
    De todo. Só se tornam um problema quando são a única coisa que se permite usar por medo de ser visto(a) ou julgado(a).
  • Usar cores vivas pode mesmo aumentar a minha autoestima?
    A cor, por si só, não resolve questões profundas de autoestima, mas tons mais vivos ou quentes podem apoiar uma postura mais aberta, mais contacto visual e um feedback social ligeiramente mais positivo.
  • Com que cor devo começar se for muito tímido(a)?
    Muitas pessoas acham azuis suaves, verdes ou tons quentes abafados mais fáceis do que vermelhos intensos ou néons. Escolha uma cor que pareça “suave mas nova”, não avassaladora.
  • Isto aplica-se também a homens, ou sobretudo a mulheres?
    A investigação e a experiência clínica sugerem que se aplica a todos os géneros. Homens com baixa autoestima muitas vezes escondem-se atrás de roupa escura e anónima exatamente da mesma forma.
  • Como sei se o meu guarda-roupa é um sinal de alerta para baixa autoestima?
    Se ao vestir-se pensa frequentemente “não quero que ninguém repare em mim”, ou se se sente culpado(a) por usar algo de que realmente gosta, as suas escolhas de roupa podem estar a ecoar dificuldades mais profundas de valor próprio.

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