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4 azeites que deve evitar: grupo de consumidores francês alerta para riscos

Mão segurando garrafa de azeite numa cozinha, com legumes e uma tigela de azeitonas ao fundo.

O azeite parece saudável, elegante e tranquilizador em cima do balcão da cozinha.

No entanto, um novo relatório francês sugere que algumas garrafas escondem surpresas desagradáveis.

Uma investigação recente em França abalou um pilar da dieta mediterrânica, apontando para vários azeites virgem extra que podem trazer mais do que aromas frutados e notas picantes. Por detrás de rótulos brilhantes e alegações de “natural”, alguns produtos contêm vestígios de químicos associados a riscos hormonais e reprodutivos.

A investigação que está a abalar um essencial da cozinha

A revista francesa 60 Millions de Consommateurs, um conhecido organismo de defesa do consumidor, analisou 24 azeites virgem extra populares vendidos em supermercados e lojas biológicas. O objetivo era simples: verificar se estas garrafas correspondem ao que prometem nos rótulos e se contêm contaminantes que possam prejudicar consumidores frequentes.

O estudo incidiu sobre azeites comprados em França, mas várias das marcas envolvidas são amplamente distribuídas na Europa e, em alguns casos, na América do Norte ou através de retalhistas online. Isso torna as conclusões relevantes muito para além das fronteiras francesas, sobretudo numa altura em que o consumo de azeite continua a crescer no Reino Unido, nos EUA e no Canadá.

A maioria dos azeites testados entregou aquilo que os compradores esperam de uma garrafa decente: qualidade correta, sabor aceitável e sem grandes preocupações de segurança. Ainda assim, quatro produtos destacaram-se pelas piores razões, com níveis de certos plastificantes acima do que a revista considera aceitável para uso diário.

Estas conclusões não visam o azeite enquanto ingrediente, mas sim marcas específicas cujo perfil químico levanta sinais de alerta para consumidores regulares.

Porque é que o azeite continua a ser uma estrela da dieta mediterrânica

Os investigadores em nutrição classificam de forma consistente a dieta mediterrânica entre as melhores para a saúde a longo prazo. O azeite, sobretudo o virgem extra, está no centro desse padrão alimentar.

Rico em gorduras monoinsaturadas e antioxidantes, o azeite virgem extra ajuda a manter níveis saudáveis de colesterol. Estudos associam o consumo regular a taxas mais baixas de doença cardíaca e diabetes tipo 2. Uma ingestão diária moderada também parece favorecer um envelhecimento cognitivo mais saudável. Na cozinha do dia a dia, substitui a manteiga ou óleos de sementes altamente processados e, em geral, traz mais compostos protetores para o prato.

Só os lares franceses consomem cerca de 110.000 toneladas de azeite por ano. Tendências semelhantes surgem no Reino Unido e nos EUA, onde compradores à procura de gorduras “mais limpas” passam frequentemente de misturas de girassol ou óleos vegetais para óleos de estilo mediterrânico.

Essa mudança torna a contaminação uma preocupação maior: quando um produto se torna um hábito diário e não apenas um fio ocasional, mesmo níveis modestos de químicos indesejados podem traduzir-se numa exposição prolongada.

Contaminação: onde o problema começa

Os testes franceses detetaram que muitas garrafas continham vestígios de substâncias de duas grandes famílias: plastificantes e hidrocarbonetos de óleos minerais. Os mais preocupantes pertencem à família dos ftalatos, um grupo de químicos amplamente usados para amolecer plásticos e presentes em tudo, desde embalagens a cabos.

A revista reportou que 23 dos 24 azeites testados continham pelo menos um ftalato, como o ftalato de di-isononilo (DINP), o ftalato de di(2-etil-hexilo) (DEHP) ou o ftalato de dibutilo (DBP). Estas substâncias podem migrar para os alimentos a partir de equipamentos plásticos, tubagens flexíveis em linhas de produção, recipientes de armazenamento ou mesmo de tampas e vedações da própria garrafa.

Os ftalatos atuam como desreguladores endócrinos, ou seja, interferem com os sistemas hormonais, e alguns foram classificados como reprotóxicos, com potenciais efeitos na fertilidade e no desenvolvimento fetal.

Para além das preocupações diretas de saúde, estes químicos tendem a acumular-se no organismo e nos ecossistemas. Não se degradam rapidamente, o que lhes confere uma pegada ambiental prolongada.

Como é que estes químicos acabam na sua garrafa

Os ftalatos e os resíduos de óleos minerais, em geral, não aparecem nas listas de ingredientes, porque os produtores não os adicionam deliberadamente. Entram ao longo da cadeia:

  • Durante a colheita, a partir de lubrificantes e óleos usados em maquinaria.
  • Durante a prensagem, através de mangueiras, juntas ou peças plásticas em contacto com o azeite.
  • Durante o armazenamento e transporte, a partir de depósitos, revestimentos ou materiais de vedação.
  • Durante o engarrafamento, a partir de tampas de plástico, revestimentos internos ou embalagens recicladas.

Só testes laboratoriais conseguem detetar este tipo de contaminação de forma fiável. Para o comprador, garrafas contaminadas e garrafas “limpas” parecem muitas vezes idênticas, usam linguagem de marketing semelhante e estão lado a lado na mesma prateleira.

Os quatro azeites destacados pelo organismo francês

Embora baixos vestígios de ftalatos apareçam em muitos produtos alimentares, a equipa francesa sinalizou quatro azeites pelas concentrações particularmente elevadas de DEHP e DBP. Estes níveis suscitaram preocupação quando combinados com um cenário realista de exposição: uma pessoa que use estes azeites diariamente durante anos.

Segundo a revista, os quatro produtos a evitar são:

  • Naturalia Extra Virgin “Like a Virgin”
  • La Vie Claire Extra Virgin
  • Terra Delyssa Extra Virgin
  • Cauvin Bio “La Bio” virgem extra

As quatro marcas apresentam-se como escolhas de qualidade, algumas com posicionamento biológico ou orientado para a saúde. Esse contraste entre a imagem e os resultados dos testes motivou o tom forte do alerta.

Um preço premium ou um rótulo biológico não garantem automaticamente ausência de contaminantes relacionados com o processo.

A revista francesa aconselha consumidores regulares a deixar de usar estes produtos específicos e a optar por azeites que, nos seus testes, apresentaram níveis mais baixos de contaminantes. A lista de marcas melhor classificadas varia de mercado para mercado, mas a mensagem mantém-se: a reputação da marca e o estilo da embalagem contam apenas parte da história.

O que isto significa para compradores fora de França

As gamas de retalho diferem entre países, mas a questão subjacente é semelhante, quer compre numa loja biológica em Paris, quer num supermercado em Londres. O azeite pode adquirir contaminantes durante o processamento industrial, e a maioria dos consumidores não tem forma direta de medir esse risco.

No Reino Unido, EUA ou Canadá, algumas destas marcas podem aparecer em lojas especializadas ou online. Mesmo quando a garrafa exata não está disponível, o estudo evidencia um padrão mais amplo: cadeias de abastecimento altamente processadas, plásticos reciclados e pressões de custos podem reduzir a margem de segurança de alimentos que, à partida, são saudáveis na origem.

Como escolher azeite mais seguro na prática

Os consumidores não conseguem fazer testes laboratoriais em casa, mas podem reduzir o risco com alguns hábitos práticos. Nenhum destes passos oferece proteção perfeita; em conjunto, porém, aumentam as probabilidades a seu favor.

Dica prática Porque pode ajudar
Preferir garrafas de vidro escuro em vez de plástico O vidro reduz a migração de químicos e protege da luz, preservando a qualidade.
Comprar a produtores com cadeias de abastecimento curtas e transparentes Produtores mais pequenos ou regionais tendem a usar equipamento mais simples e logística menos complexa.
Verificar datas de colheita recentes Azeite mais fresco sugere manuseamento mais cuidadoso e menor degradação.
Rodar marcas ocasionalmente Diversificar a origem evita exposição prolongada a contaminantes de uma mesma unidade/linha de produção.
Usar azeite sobretudo em cru ou em preparações de baixa temperatura Cozedura mais suave preserva compostos benéficos e evita produtos adicionais de degradação.

Grupos de consumidores no Reino Unido e nos EUA por vezes realizam testes semelhantes em óleos de cozinha, alimentos enlatados ou produtos para bebés. Consultar os relatórios mais recentes antes de se fidelizar a uma marca “favorita da família” pode evitar surpresas desagradáveis.

Desregulação endócrina: uma ameaça lenta e silenciosa

Os ftalatos pertencem à categoria crescente dos desreguladores endócrinos. Estas substâncias interferem com a sinalização hormonal, mesmo em doses baixas, sobretudo durante fases sensíveis da vida como a gravidez, a infância e a puberdade.

A investigação associa certos ftalatos a redução da qualidade do esperma, alterações no desenvolvimento genital em bebés do sexo masculino e mudanças nos níveis de hormonas da tiroide. Alguns estudos também sugerem uma ligação à obesidade e a perturbações metabólicas, embora os mecanismos ainda estejam a ser investigados.

Os reguladores restringiram o uso de vários ftalatos em brinquedos, produtos de puericultura e cosméticos, mas os materiais em contacto com alimentos continuam a apresentar zonas cinzentas. Os óleos, devido ao seu teor de gordura, tendem a atuar como solventes muito eficientes para estas moléculas, tornando-os um alvo útil para monitorização.

Transformar este alerta num hábito mais amplo de segurança alimentar

Este caso do azeite espelha problemas que continuam a surgir com outros alimentos do quotidiano: óleos minerais em cereais de pequeno-almoço, bisfenóis em latas, ou PFAS em embalagens de comida para levar. Exposições isoladas raramente causam doença imediata, mas doses baixas ao longo da vida podem acumular-se.

Uma forma prática de reagir passa por algumas mudanças simples, em vez de ansiedade constante. Cozinhar com rotação de gorduras como azeite virgem extra, óleo de colza e pequenas quantidades de manteiga distribui o risco por diferentes cadeias de abastecimento. Escolher alimentos menos processados, quando possível, reduz o contacto com embalagens complexas. Prestar atenção a testes independentes - em vez de campanhas financiadas por marcas - oferece uma imagem mais realista do que chega ao prato.

Para quem cozinha diariamente, o azeite provavelmente continuará no armário. As conclusões francesas não sugerem abandoná-lo, mas defendem mais curiosidade sobre aquilo que o rótulo não diz. Uma atitude um pouco mais cética perante garrafas brilhantes hoje pode significar menos químicos invisíveis nas análises ao sangue de amanhã.

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